Projeto educacional envolve estudantes no desenvolvimento de nanossatélite
Por Bruno Grossi, Ascom/SEEDF
Estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal integram uma missão espacial brasileira que amplia a presença do país em órbita. Cerca de 30 alunos do ensino médio participaram diretamente do desenvolvimento de um satélite já lançado, que agora integra a constelação da Ideia Space, startup sediada em Brasília. A iniciativa faz parte do programa Desafio Espacial, voltado à formação científica e tecnológica de jovens da rede pública.
A estudante do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama, Stephany Santana de Araújo, 17 anos, destaca que o interesse pelo projeto surgiu a partir do incentivo da escola e da curiosidade pela área espacial. “Fiquei sabendo desse programa por meio de um professor, que explicou como funcionaria e disse que seria uma ótima experiência. O que me motivou a me inscrever foi a curiosidade pela área, algo que eu já tinha interesse anteriormente”, relata.
Segundo a aluna, a vivência permitiu o contato direto com conceitos científicos aplicados, aproximando o conteúdo estudado em sala de aula de desafios reais da tecnologia espacial. Ao longo do projeto, a estudante participou ativamente da concepção do satélite, e reforça a importância do trabalho coletivo no processo de aprendizagem.
“Aprendi que a engenharia exige atenção a cada detalhe e que o trabalho em equipe é indispensável. Essa experiência confirmou que é nessa área que quero seguir”, afirma Stephany, que também deixa um recado aos próximos participantes: “Sejam persistentes, participem de cabeça. A ciência e a tecnologia abrem portas e podem mudar não só o nosso futuro, mas o de todos os que sonham”.
A participação dos estudantes envolveu todas as etapas do projeto, desde a concepção até o planejamento da operação orbital. Com o apoio institucional da Agência Espacial Brasileira (AEB), os alunos tiveram contato prático com áreas como engenharia, ciência de dados e sistemas espaciais, vivenciando uma experiência inédita no ambiente escolar do DF.

EDUCAÇÃO PÚBLICA CONECTADA AO ESPAÇO
Para o fundador da Ideia Space, Leonardo Júlio Souza, a presença de estudantes da educação básica em uma missão real demonstra o potencial transformador da educação pública. “Estamos mostrando que o espaço pode ser um ambiente de aprendizado acessível e formador. Esses alunos participaram de um projeto completo, com impacto real, e isso amplia horizontes e perspectivas profissionais”, afirma o pesquisador.
Leonardo avalia de forma positiva a perspectiva de ampliação do programa junto à rede pública em 2026, com foco no aumento do número de discentes atendidos e no envio de novos satélites desenvolvidos por alunos. “Já temos conversas em andamento para a renovação do projeto, com apoio da Agência Espacial Brasileira, e como somos uma empresa brasiliense, nosso objetivo é fazer de Brasília o local do país com mais satélites em órbita desenvolvidos por estudantes da rede pública”, afirma.
A meta para 2026 é dobrar o número de participantes alcançados no último ano, quando mais de 500 alunos integraram o programa. “Nossa expectativa é passar de mil estudantes participantes, ampliar o número de bolsas remuneradas e manter pelo menos um satélite desenvolvido por alunos da rede pública em órbita, avançando para dois ou três lançamentos anuais nos próximos anos”, destaca o fundador da Ideia Space.

PROTAGONISMO ESTUDANTIL E FORMAÇÃO CIENTÍFICA
A egressa do ensino médio Rebecca Santos, 18 anos, destaca que a participação no programa representou um marco em sua trajetória acadêmica e pessoal. “O projeto abriu muitas portas, aumentou minha confiança, melhorou meu processo de estudo e me ajudou a enxergar com mais clareza o que quero para o meu futuro”, relata a estudante, que integrou a edição de 2025, quando ainda cursava o terceiro ano do ensino médio. Segundo Rebecca, a experiência foi decisiva para ampliar suas perspectivas profissionais e fortalecer o interesse pela área científica.
Ao falar sobre as atividades formativas, a estudante ressalta a metodologia adotada no curso e o contato prático com a ciência espacial. “A forma como eles conectaram matérias da escola com a astronomia facilitou muito o aprendizado. A gente aprendia na teoria e já colocava em prática”, explica Rebecca, que também destaca a função social do satélite: “Ele vai ajudar no monitoramento de queimadas no DF, indicando focos de incêndio para apoiar agricultores, parques ecológicos e as autoridades, reduzindo os danos ao meio ambiente”.
Além da missão educacional com alunos do DF, a constelação inclui satélites desenvolvidos por universidades brasileiras e iniciativas culturais, consolidando um modelo que alia educação, pesquisa e inovação. A atuação dos estudantes da rede pública do Distrito Federal destaca-se como um dos exemplos de como políticas educacionais e parcerias institucionais podem ampliar o acesso de jovens a áreas estratégicas do conhecimento.







