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Softown e o renascimento da noite em Brasília: quando curadoria, arte e experiência se encontram

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Sob a assinatura sensível de Cássia Telles, projeto transforma o Park Sul em um refúgio de cultura, sofisticação e conexões reais

 

Há um movimento silencioso em curso na noite de Brasília. Longe dos grandes palcos e das fórmulas repetidas, ele acontece em espaços onde o detalhe importa, onde a experiência é pensada e onde o tempo parece desacelerar. É nesse território que o Softown vem se consolidando como um dos endereços mais instigantes da cidade.

Mais do que um espaço, o Softown propõe uma identidade. Durante o dia, abriga empresas, encontros e ideias. À noite, se transforma em um cenário que remete às ruas de Londres: iluminação baixa, arquitetura intimista, ambientes que convidam ao encontro. Não é apenas estética, é narrativa.

E é dentro dessa narrativa que nasce o The Cocktail Jazz, projeto que tem na curadoria de Cássia Telles seu principal eixo criativo. Cássia não pensa eventos, ela constrói atmosferas.

Mais do que produtora, ela atua como uma espécie de arquiteta de experiências. “Quando me chamaram, queriam algo muito específico, quase linear, onde a pessoa entendesse o que estava vivendo. Eu escrevi o projeto como se fosse uma rua de Londres”, conta. “Eu monto lounges, penso o fluxo, trago artistas especializados. É sempre um conjunto.”

E esse conjunto se revela em camadas. Cada edição é única. E isso é intencional.

“Eu busco trazer artistas enraizados no contexto. Se é jazz, é jazz de verdade. Se é blues, a mesma coisa. E junto disso, a gente cria um conjunto, música, comida, bebida, que conversa entre si”, detalha.

No último 8 de abril, essa construção ganhou forma em uma noite dedicada a duas potências femininas da música: Aretha Franklin e Etta James. A escolha das vozes não foi aleatória, foi simbólica. Representava força, emoção e legado. No palco, duas presenças distintas e complementares deram corpo a essa homenagem.

Geórgia W. Alô, com sua potência vocal já reconhecida, conduziu o público por interpretações densas e carregadas de emoção. Ao seu lado, Isabela Bianor trouxe versatilidade e uma leitura contemporânea que transita com naturalidade entre o blues, o soul e o pop, uma presença que equilibra técnica e sensibilidade, ampliando o alcance da noite.

“Eu sou uma artista comprometida com a minha arte, então minha performance não muda. Mas a conexão muda tudo”, afirma. “Aqui, o público é sofisticado, aprecia música de verdade. No começo, eles chegam mais contidos, mas depois se entregam. E é lindo ver isso acontecendo.”

A banda, formada por músicos experientes e com forte vínculo entre si, cria uma atmosfera que vai além da execução técnica. “Não são só músicos, são amigos. Existe uma conexão que ultrapassa o profissional”, destaca a cantora. Entre eles, o guitarrista Herman Lima resume o espírito da noite: “É um ambiente gostoso, entre amigos, com expectativa lá em cima. A gente está aqui para fazer um grande show.”

Contudo, essa energia, não fica restrita ao palco, ela atravessa o espaço.

No The Pitch Pub, onde o evento acontece, a proximidade entre artista e público, o ambiente é quase confidencial. Não há barreiras, há presença. E é nessa proximidade que a noite se amplia.

Na gastronomia, o assador Luiz Felipe Marim, à frente do Buffet St. Louis, propôs um cardápio que dialoga com o ritmo da noite. “A ideia foi trazer algo dinâmico, que não prendesse o público à mesa. As pessoas circulam, acompanham a parrilla, veem o preparo. Isso cria imersão”, explica.

Cortes como baby beef e bife de chorizo ganham protagonismo não apenas pelo sabor, mas pela forma como são apresentados: ao vivo, no tempo do evento, no calor da conversa.

“Não é só churrasco. É experiência. A pessoa vê, sente o aroma, recebe no ponto certo. Isso muda tudo”, reforça.

No bar, o discurso segue a mesma lógica de construção sensorial.

O mixologista Victor Bianchi, responsável pela carta da casa, trabalha a coquetelaria como extensão do ambiente. “A gente buscou referências das décadas de 20 e 30, que dialogam com o jazz e com essa estética mais intimista. São drinks mais clássicos, mais intensos”, explica.

Clássicos como Negroni, Boulevardier e Old Fashioned aparecem como protagonistas de um público que, segundo ele, já demonstra um paladar mais apurado. “Aqui, as pessoas buscam o amargor, a complexidade. É um público mais preparado para esse tipo de experiência.”

Mas se há um elemento que valida, ou não, qualquer proposta, é o público. E, no Softown, ele fala.

A biomédica Ana Diniz encontra na noite uma ponte com suas memórias. “Eu quero sentir aquela coisa dos anos 80, de Aretha, de Whitney. É aconchego. Brasília tem muita coisa, mas falta esse tipo de experiência. Aqui eu encontro isso.”

O professor Marcelo Fabrino destaca o impacto do espaço na experiência. “É como uma rua londrina. Um ambiente acolhedor, intimista. As pessoas se conectam de verdade aqui.”

Para o diretor de eventos Renato Petit Caputo, o projeto representa ruptura. “Eles quebram o padrão da cidade. Levam o público para outro universo. Mas ainda falta incentivo, principalmente das marcas, para que isso cresça.”

Já a advogada Cíntia resume o impacto da descoberta: “Eu me surpreendi completamente. Me lembrou pubs da Inglaterra, aquele lugar onde você senta, ouve jazz e simplesmente existe. É uma experiência que te transporta.”

E talvez seja exatamente isso que o Softown esteja propondo à cidade, um deslocamento não geográfico, mas sensorial. Em um cenário onde a noite muitas vezes se mede em volume e repetição, o espaço aposta no oposto: curadoria, limite de público, intenção.

Menos gente, mais significado. Mais do que um evento, o The Cocktail Jazz se apresenta como um convite a ouvir com atenção, a sentir com presença, a viver a noite como experiência e não como hábito.

E, sob a condução de Cássia Telles, esse convite ganha forma, ritmo e identidade que Brasília, aos poucos, começa a responder. E, talvez, a se reconhecer.

 

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