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“Herdeiras do Mestre, As Donas do Circo!” encerra circulação no Gama com homenagem à artista Mônica Giseuda

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Herdeiras do mestre- As donas do Circo! na Escola Classe 07, do Gama- foto de Luiza Frazão


Projeto celebrou a força do circo popular, da inclusão e da permanência da arte mesmo diante da dor da perda

Após semanas de oficinas, apresentações e encontros com estudantes de escolas públicas do Gama, o projeto “Herdeiras do Mestre, As Donas do Circo!” chegou ao fim nesta terça-feira, 26 de maio, deixando um rastro de afeto, aprendizado e emoção. Realizada pela Companhia Circo Boneco e Riso, a iniciativa percorreu unidades escolares da região levando espetáculos, oficinas de brinquedos populares e atividades culturais marcadas pela valorização do circo popular brasileiro, da inclusão e da memória afetiva construída pela arte.

Neste mês de maio, cinco escolas – EC 9, EC 28,  EC 15, EC 29 e EC 7- receberam oficinas de confecção de brinquedos populares e apresentações do espetáculo  “Herdeiras do Mestre, As Donas do Circo!.

Antes da circulação, porém, o grupo também enfrentou um momento difícil e profundamente doloroso: o falecimento da artista Monica Giseuda Guedes Rezende, que integraria o elenco como uma das palhaças PCDs do projeto.

Mônica dava vida à Palhaça Mariola ( a de vestido vermelho)

Reconhecida por sua trajetória como arte-educadora, renomada bonequeira atuante na região do Gama, com foco especial no teatro de formas animadas e projetos socioculturais do DF. Monica deixou uma marca importante na cultura brasiliense e nas artes populares.

Mônica Giseuda (com uma flor no cabelo), com a equipe do projeto – foto divulgação

Também participou de atividades culturais promovidas pelo Instituto Voar Cultural e por diversos coletivos artísticos da região, sendo lembrada pelo compromisso com a arte, pela delicadeza no trabalho com crianças e pela defesa da cultura acessível e inclusiva.

Todo o novo elenco de Herdeiras do Mestre, As Donas do Circo! – foto de Mariana Fernandes

 Mesmo diante da perda, o grupo decidiu seguir com a realização das atividades. Uma outra artista cadeirante passou a integrar o projeto, permitindo a continuidade da proposta inclusiva idealizada desde o início. Ainda assim, a ausência de Monica esteve presente em cada encontro, oficina e espetáculo.

“Foi um projeto muito bonito, mas também muito difícil emocionalmente para todas nós. A Monica fazia parte dessa caminhada, estava feliz com o projeto e deixou um vazio enorme. Conseguimos reorganizar o trabalho com outra artista cadeirante, mantendo o compromisso com a inclusão, mas em todas as apresentações existia um momento de saudade. A presença dela permanecia ali conosco. A Monica deixou um legado muito importante para a cultura popular do Distrito Federal, principalmente no teatro de bonecos, no trabalho comunitário e na formação humana através da arte”, afirma a coordenadora Mariana Fernandes.

O projeto também reafirmou a força histórica da Companhia Circo Boneco e Riso, criada em 1968 por Mestre Zezito, referência do circo popular nordestino e brasiliense. Após a morte do artista, em 2006, sua esposa Neide Amorim e as filhas Rita de Cássia, Maria e Isabel deram continuidade ao trabalho, preservando saberes populares, técnicas circenses e ações culturais voltadas às periferias e escolas públicas.

Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB-DF), o projeto integrou ações da Política Nacional Cultura Viva, por meio de parceria entre o Instituto Voar Cultural, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e o Ministério da Cultura.

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