Nesta quarta-feira (11), a economista Mariana Mazzucato, diretora do Institute for Innovation and Public Purpose (IIPP), da University College London (UCL) participou de um encontro, em Salvador, com os pesquisadores Paulo Miguez, Lúcia Queiroz, Goli Guerreiro, Armando Castro, Carolina Fantinel, Daniele Canedo e Francisco Assis onde debateu o Carnaval local.
A agenda integra a missão internacional de pesquisa de campo sobre cultura, economia criativa e Carnaval, fruto da cooperação entre o MinC e o IIPP-UCL, com cooperação técnica da Unesco.
Para Mazzucato, a economia criativa é um projeto transversal que tem o Carnaval como um estudo de caso muito interessante. Ela apontou a necessidade de se repensar o propósito público da festa, bem como o seu financiamento e, dessa forma, criar ecossistemas que sejam menos parasitários e mais simbióticos.
De acordo com o professor, pesquisador e reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Miguez, o Carnaval de Salvador é um campo de estudo que abrange diferentes dimensões, como a organizacional, a estética e a identitária. Apesar disso, ao longo dos anos, ainda segundo ele, não se deu a devida importância a essa manifestação cultural. “Só muito recentemente passamos a ter a Casa do Carnaval e nunca fizemos, por exemplo, um Congresso Mundial do Carnaval, evento que até a Espanha já realizou”, disse.
Para a pesquisadora Carolina Fantinel, ao debater o Carnaval é fundamental considerar o bem-estar das pessoas que vivem a festa, tanto os foliões que festejam nas ruas quanto os trabalhadores da festa. “É muito importante falar disso porque estamos tratando da dignidade da vida humana”, destacou.
Pelourinho
Em outro encontro, dessa vez com representantes dos blocos afros Olodum, Muzenza, Bloco do Reggae, Os Negões, Bloco da Capoeira, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhi e Didá, Mariana Mazzucato foi apresentada ao trabalho desenvolvido por essas entidades e as questões que elas enfrentam para se manterem ativas. O encontro ocorreu na sede do Olodum, no Pelourinho. Em seguida, a equipe visitou as sedes dos demais blocos. “Estamos aqui para escutar e aprender com vocês. Esse encontro é muito importante e vem colaborar muito com a nossa pesquisa”, destacou Mazzucato.
O presidente da Fundação Palmares, João Jorge, ressaltou que foi com a criação dos blocos afros que nasceu essa ideia de Economia Criativa afro na Bahia. Ele frisou que a pauta ainda é subestimada, mas que a presença do Ministério da Cultura nessa causa é fundamental para dar o protagonismo que o tema merece.
Visita à Organização Social
Ainda nesta quarta, Mazzucato esteve nas instalações da Organização Social Fábrica Cultural, localizada na Península de Itapagipe, em Salvador. O espaço existe há 21 anos e é um polo de Economia Criativa que desenvolve ações de fomento ao empreendedorismo junto à população local e pessoas de baixa renda nos 27 territórios de identidade da Bahia. Hoje, a Fábrica Cultural é responsável pela gestão de todo o artesanato do estado da Bahia.
A instituição possui 4.500 empreendedores cadastrados e é a única organização na cidade a fornecer capacitação gratuita voltada ao impulsionamento do empreendedorismo.
Missão
Além da capital baiana, a missão internacional de pesquisa de campo sobre cultura, economia criativa e Carnaval passou pelo Rio de Janeiro e Brasília. A iniciativa é parte do esforço do Governo do Brasil de reposicionar a cultura como eixo estratégico do desenvolvimento nacional, do planejamento estatal e do fortalecimento das capacidades públicas.
Sobre Mariana Mazzucato
Mariana Mazzucato (PhD, CBE, FREcon) é professora de Economia da Inovação e de Valor Público na University College London (UCL), onde é Diretora Fundadora do UCL Institute for Innovation & Public Purpose (IIPP). Entre seus livros premiados estão: O Estado Empreendedor: desmascarando os mitos do setor público versus setor privado (2013), O Valor de Tudo: Produção e Apropriação na Economia Global (2018), Missão Economia: Um Guia Inovador para Mudar o Capitalismo (2021) e A Grande Falácia: Como a Indústria da Consultoria Enfraquece as Empresas, Infantiliza Governos e Distorce a Economia (2023).
Fonte: Ministério da Cultura

