A cidade de Gramado (RS) ganhou três murais permanentes que celebram a cultura e a história do povo indígena Kaingang. O artista plástico Alessandro Müller pintou as obras na parede do Arquivo Público João Leopoldo Lied, na Vila Joaquina. A ação cultural é resultado direto do investimento do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul.
O projeto Muralismo e os povos originários: do esquecimento à inclusão recebeu R$ 80 mil por meio da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195 de 2022). A LPG viabilizou o maior investimento direto no setor cultural da história do Brasil. No total, foram repassados R$ 3,8 bilhões para a execução de ações e projetos culturais em todo o território nacional.
A coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultura no Rio Grande do Sul, Mariana Martinez, destaca a importância desse apoio. Segundo ela, a lei vai além do repasse de dinheiro, pois atuou na promoção de direitos dos cidadãos.
“Cultura é política pública. E, quando valorizamos a contribuição dos povos indígenas para a cultura gaúcha, estamos valorizando quem sustenta a diversidade cultural desse país há séculos”, declarou Mariana.
Arte e memória na rua
Os três murais representam a filosofia indígena de que a vida é um ciclo contínuo: começo, meio e começo. As pinturas mostram símbolos importantes da região, como a gralha-azul e a semente da árvore araucária. O desenho também mostra mãos que cuidam de uma muda de planta, o que significa a transmissão de saberes entre as gerações.
Gramado é uma cidade conhecida por homenagear os imigrantes europeus, como é o caso da Praça das Etnias. No entanto, o município ainda não tinha uma grande obra pública para lembrar os povos originários. Os novos murais preenchem esse espaço na memória da cidade, reconhecendo a narrativa indígena como parte essencial no território.
O artista Alessandro Müller explica o propósito do trabalho. “O papel do artista também é o de abrir espaço para temas fundamentais da nossa história e da nossa formação como cidadãos. A arte comunica e, quando ela está na rua, no espaço público, ela se torna acessível a todos. Ela encontra as pessoas no caminho e as convida à reflexão”.
Acessibilidade
O projeto garante que todas as pessoas possam aproveitar a arte. Cada mural tem QRCode. Ao usar o celular para ler o código, o visitante cego ou com baixa visão escuta uma descrição detalhada das imagens. Uma equipe especialista em acessibilidade criou esse recurso.
Além de entregar os murais, o projeto ofereceu atividades gratuitas para a comunidade. As ações incluíram oficinas de grafite em escolas públicas, contação de histórias Kaingang para crianças, cursos sobre patrimônio e a exibição de um documentário sobre os povos originários.
A cerimônia oficial para entregar os murais de forma definitiva para a cidade acontecerá no mês de março.
Fonte: Ministério da Cultura

