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Jovens Agentes Cultura Viva conectam corpo, território e futuro político na Teia 2026

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O segundo dia do 1º Encontro Nacional de Agentes Jovens Cultura Viva: pulsando com os territórios para o bem viver, que acontece na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, foi marcado por uma pergunta central: qual é a relação entre corpo e território? A partir dessa provocação, mais de 170 jovens agentes culturais se reuniram, na manhã desta quarta-feira (20), em uma dinâmica coletiva voltada à escuta, à partilha de vivências e à construção de sentidos sobre pertencimento, identidade e atuação política nos territórios.

A atividade começou de forma lúdica, em uma roda no gramado, com mediação dos cinco integrantes do Consórcio Universitário Cultura Viva: Manuel Alcausa e Gustavo Torquato, da Universidade Federal Fluminense (UFF); e Cecilia Favero, Ana Carolina Casaril e Larissa Olivares Heredia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A proposta era criar um ambiente de troca direta entre juventudes, em que o jovem falasse para o jovem, de forma mais fluida e próxima. A primeira imersão foi conduzida por Manuel, com exercícios de respiração, meditação e consciência corporal.

“Temos que entender onde o nosso corpo está”, provocou Manuel durante a atividade. A reflexão serviu como ponto de partida para pensar o corpo não apenas como presença física, mas como extensão da memória, da cultura, da ancestralidade e das lutas que atravessam cada território.

Em seguida, os agentes foram divididos em grupos de até dez pessoas para uma atividade de cartografia. A partir das perguntas “qual a relação do corpo com o território?” e “qual a relação do território com o corpo?”, os jovens produziram desenhos coletivos que reuniram elementos simbólicos de suas origens, experiências e pertencimentos. Ao final, cada grupo apresentou sua cartografia, revelando uma composição formada por múltiplos sotaques, paisagens, identidades e formas de viver a Cultura Viva.

Corpo-território: juventudes desenham pertencimentos e caminhos coletivos

Para Klekheeniso Ekuná de Matos, 23 anos, do povo Kamayurá, no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, a atividade permitiu traduzir em imagem aquilo que muitas vezes é vivido no corpo. Agente Cultura Viva do Pontão de Culturas Indígenas, ela atua com comunicação e acessibilidade para que as políticas públicas de cultura cheguem de forma mais clara às comunidades indígenas.

“Nosso trabalho principal é trazer acessibilidade para que as pessoas entendam o que é o fomento à cultura, quais são as políticas públicas que precisam melhorar e o que precisamos fazer para ter melhor acesso aos espaços da cultura, das artes e da música”, explicou.

Na cartografia, Klekheeniso destacou o grafismo como marca de identidade e pertencimento. Para ela, o corpo carrega o território mesmo quando não está fisicamente nele. “O grafismo é a nossa identidade. Mesmo que a gente não use, quando vê um grafismo específico, a gente sabe que aquilo é nosso. Representatividade é isso: bater o olho, ver uma coisa e saber que aquilo me representa”, afirmou.

A jovem Alice Carvalho, 21 anos, agente Cultura Viva do Pontão Temático Pátria Grande da América Latina, também encontrou na atividade uma forma de traduzir sua trajetória. Catingueira, da comunidade de Curral de Varas, em Guanambi, no sertão produtivo da Bahia, Alice contou que participar da Teia tem sido uma oportunidade de conhecer outras realidades e, ao mesmo tempo, posicionar o próprio território dentro da Cultura Viva.

“É extremamente importante conhecer pessoas de outros lugares e compreender o trabalho da Cultura Viva. Para mim, foi um desafio envolver o sertão com a latinidade, sem estar em um território de fronteira”, relatou.

Durante a dinâmica de cartografia, o grupo de Alice precisou transformar experiências muito diferentes em uma imagem comum. A solução veio de um símbolo simples e potente: uma panela. “A gente vinha de lugares diferentes, do Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste, e precisava entender como tudo isso podia virar um corpo. Então, a gente fez uma panela. O que une a gente é a força de continuar lutando por aquilo que acredita e por aquilo que é”, disse.

Da escuta à proposta: jovens constroem carta política 

À tarde, os Agentes Jovens Cultura Viva deram continuidade ao processo iniciado pela manhã, agora com foco na construção de propostas para o futuro da ação nos territórios. A partir das vivências compartilhadas e das problematizações trazidas pelos grupos, os participantes passaram a debater o que ainda falta, quais são os desafios enfrentados pelas juventudes e o que desejam para o futuro da Cultura Viva.

As discussões foram organizadas em três eixos: trabalho e sustentabilidade na Política Nacional Cultura Viva; gestão compartilhada e sustentabilidade da ação Agente Cultura Viva; e sustentabilidade e justiça climática nos territórios. O objetivo é sistematizar propostas construídas coletivamente para compor a carta final do 1º Encontro Nacional de Agentes Jovens Cultura Viva, prevista para ser apresentada na plenária do dia 21 de maio.

A metodologia buscou fortalecer a ideia de coletivo, com o corpo representado como uma construção comum. Mais do que reunir experiências individuais, o encontro propôs transformar relatos, desafios e desejos em uma posição política das juventudes da Cultura Viva, a ser entregue à Comissão Nacional de Pontos de Cultura.

Toda a programação foi mediada pelos cinco integrantes do Consórcio Universitário Cultura Viva, uma ação colaborativa de pesquisa e extensão sobre a Política Nacional Cultura Viva, formada por universidades federais de diferentes regiões do país.

Ao colocar corpo e território no centro da discussão, o segundo dia do encontro reafirmou o protagonismo das juventudes na construção de políticas culturais de base comunitária. Entre grafismos, sertões, aldeias, periferias, fronteiras simbólicas e experiências compartilhadas, os agentes jovens transformaram a escuta em desenho, o desenho em proposta e a proposta em caminho coletivo para o bem viver.

Teia Nacional

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.



Fonte: Ministério da Cultura

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