A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, destacou os Arranjos Regionais como principal instrumento de coinvestimento para ampliação dos recursos destinados ao audiovisual no Rio Grande do Sul, durante encontro realizado nesta sexta-feira (27), em Porto Alegre (RS). O modelo deve destinar R$ 24,5 milhões ao estado.
“Essa política é responsável por fortalecer muitas cenas do audiovisual no país. Quando cheguei à Secretaria, ainda no primeiro ano, uma das prioridades foi retomar essa política. Fizemos estudos sobre o impacto dessas linhas em diferentes regiões, e eles comprovaram a capilaridade e a força dessa iniciativa. Também olhamos para o que não tinha funcionado, para trazer um modelo mais aprimorado, porque é assim que se faz política pública”, destacou Joelma.
Realizado na Cinemateca Paulo Amorim, dentro da programação do Dia do Cinema Gaúcho, o evento reuniu profissionais, gestores e representantes do setor para debater investimentos, ações estruturantes e iniciativas em curso. Organizado pelo Instituto Estadual de Cinema (Iecine), da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), em parceria com o MinC, o encontro evidenciou a articulação entre as esferas federal e estadual no fortalecimento do audiovisual.
Mais de 60 representantes do setor, incluindo entidades como a Fundação Cinema RS (Fundacine), o Sindicato da Indústria do Audiovisual do Rio Grande do Sul (Ciave) e a Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC), lotaram a Cinemateca e contribuíram com apontamentos sobre critérios, interiorização e ações afirmativas nas políticas públicas.
Também participaram do debate a coordenadora do Iecine, Sofia Ferreira; a vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Sofia Cavedon; e a coordenadora do Escritório do MinC no estado, Mariana Martinez.
Na ocasião, também foi apresentada a marca comemorativa dos 40 anos do Instituto Estadual de Cinema. Criado em 1986, o Iecine atua no incentivo à produção, formação e difusão do audiovisual no estado e promoveu o encontro em um momento de elaboração e definição das próximas chamadas públicas.
Política nacional fortalece o audiovisual regional
Os Arranjos Regionais são uma política de coinvestimento que reúne recursos do Governo Federal, estados e municípios para fortalecer o audiovisual em todo o país e foram um dos principais temas do encontro.
O modelo permite somar diferentes fontes de investimento, ampliando o volume de recursos e o alcance das políticas públicas. Ao todo, a iniciativa mobiliza mais de R$ 630 milhões em investimentos.
No Rio Grande do Sul, o Arranjo Regional prevê R$ 24,5 milhões, com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e aportes locais.
A maior parte dos recursos é destinada à produção de longas-metragens, mas também há previsão de apoio à distribuição, desenvolvimento de projetos, difusão de obras, preservação, cineclubes e jogos eletrônicos.
Linha especial apoia recuperação do setor
Outra frente debatida no encontro foi a linha de Projetos Especiais do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), voltada a situações específicas ou emergenciais.
No encontro, também foi apresentada uma síntese dos impactos das enchentes de maio de 2024 no estado, que afetaram diretamente o setor audiovisual gaúcho e reforçaram a necessidade de medidas específicas de apoio.
No caso do Rio Grande do Sul, foi autorizado um aporte de R$ 30 milhões pelo FSA, operacionalizado pelo MinC, para apoiar a recuperação do setor após o contexto de calamidade. Com a contrapartida do governo estadual, o volume total de recursos pode chegar a R$ 37,7 milhões. Trata-se de um investimento extraordinário direcionado ao estado diante da situação recente.
“Esse olhar atento de investimento e de reconstrução de uma indústria tão relevante para o Rio Grande do Sul, com toda a potência fílmica, criativa e industrial que temos no audiovisual, representa um momento de muita celebração, mas também de muito trabalho pela frente para garantir que os recursos cheguem às produtoras e permitam a reestruturação do setor e a valorização dos talentos do estado”, afirmou Sofia Ferreira, diretora do Iecine.
As prioridades de investimento estão sendo definidas em diálogo com agentes e instituições locais.
“A criação de uma linha especial para o Rio Grande do Sul não é apenas oportuna, é necessária. O setor ainda enfrenta os efeitos profundos da crise de 2024, e sua recuperação depende de medidas robustas e comprometidas com a realidade local. O audiovisual brasileiro e, em especial, o gaúcho exigem continuidade, estabilidade e prioridade na agenda pública”, afirmou a titular do Conselho Superior de Cinema, Aleteia Selonk.
Editais devem somar R$ 62 milhões
O encontro ocorreu na fase de elaboração e definição das próximas chamadas públicas do Iecine.
A previsão é que os editais somem cerca de R$ 62 milhões, reunindo recursos estaduais e federais.
A expectativa é ampliar o acesso aos recursos, fortalecer a produção regional e impulsionar o desenvolvimento do audiovisual no estado.
Outras ações fortalecem o audiovisual no estado
Além das linhas de investimento, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV), por meio da Diretoria de Preservação e Difusão Audiovisual (DPDA), também atua em iniciativas voltadas à preservação e ao acesso.
No âmbito do Programa de Preservação do Audiovisual Brasileiro, a Cinemateca Capitólio e o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa passaram a integrar a Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais. A instituição também foi selecionada para o projeto-piloto do Inventário Nacional de Bens Culturais Audiovisuais, realizado em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Outra frente é o mapeamento da Rede de Salas Públicas de Cinema, que identificou 31 salas potenciais no estado. Com isso, o Rio Grande do Sul ocupa a quinta posição no ranking nacional, concentrando cerca de 8% das mais de 400 salas públicas mapeadas no país.
As ações incluem ainda a presença de mais de 20 obras gaúchas no catálogo inicial da plataforma pública de streaming Tela Brasil, atualmente em fase de implementação. A iniciativa integra a estratégia do MinC de ampliar o acesso do público às produções brasileiras e fortalecer a circulação do audiovisual nacional.
Fonte: Ministério da Cultura

