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Alegria e Mariola levam palhaçaria inclusiva a escolas públicas do Gama e de Santa Maria

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Protagonizado pelas artistas cadeirantes Jarlene Maria e Kássia Gomes, espetáculo terá 16 apresentações gratuitas

Duas artistas cadeirantes entram em cena para brincar, cantar, dançar, fazer mágica e mostrar às crianças que uma cadeira de rodas também pode girar no palco e integrar a linguagem de um espetáculo. O projeto Alegria e Mariola: Palhaçaria Inclusiva nas Escolas realizará 16 apresentações gratuitas para estudantes do Gama e de Santa Maria em instituições de ensino público, nos dias 19, 20, 26 e 27 de outubro. Protagonizado por Jarlene Maria, o palhaço Alegria Cadeirante, e Kássia Gomes, a palhaça Sorriso, o projeto homenageia uma colega que faleceu este ano: Mônica Giseuda, a palhaça Mariola. Informações no Instagram @jarlenelala

Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab-DF), o projeto é fruto de parceria entre Jarlene Maria Nunes de Oliveira , a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (SECEC-DF) e o Ministério da Cultura.

A criação nasceu da experiência de Jarlene com a palhaçaria e ganhou novas cenas no encontro com Kássia. No palco, as possibilidades e particularidades de cada uma passam a fazer parte do espetáculo. Cada uma apresenta o modelo de sua cadeira de rodas às crianças e entram em cena os movimentos e as brincadeiras.

Para Jarlene, interpretar o palhaço Alegria Cadeirante diante das crianças significa ampliar as referências que chegam aos estudantes. Sua própria história ajuda a explicar a escolha. Jarlene tem paralisia cerebral e conta que viveu uma infância marcada pelo isolamento e encontrou na arte, já adulta, uma possibilidade de participação social que não experimentara quando criança.“Entrar no trabalho da Alegria mudou minha vida totalmente. A arte me incluiu na sociedade, me incluiu na vida”, diz.

A experiência pessoal acabou definindo parte do caminho que deseja percorrer agora em sentido inverso: chegar às crianças enquanto elas ainda estão formando a percepção de si mesmas, de suas possibilidades e das pessoas que convivem com elas. “Eu tive uma infância sem inclusão, uma infância fechada. Hoje, o Alegria leva a inclusão a todos”, revela.

A nova parceria de cena surgiu depois que Jarlene assistiu a uma apresentação de Kássia Gomes, dançarina, com lesão medular que também é atleta de canoagem. Jarlene fez o convite e Kássia aceitou experimentar a palhaçaria. Então, passaram a trabalhar coletivamente e criaram novas cenas para ampliar o espetáculo. A experiência também trouxe algo inédito para Jarlene: pela primeira vez, passou a contracenar no palco com outra artista cadeirante.

Essa relação aparece na dramaturgia. O palhaço Alegria Cadeirante e sua companheira de cena cantam, dançam, fazem mágica e demonstram diferentes maneiras de movimentar as cadeiras de rodas. Em determinados momentos, Alegria ajuda Sorriso, em outros, trocam aquilo que sabem fazer. A proposta permite que as crianças percebam diferenças entre corpos, movimentos e habilidades. “Ela me ensina a dançar, eu ensino a cantar, mostro que sei fazer mágica. A ideia é mostrar a inclusão de uma forma lúdica e igualitária”, explica Jarlene.

Para Jarlene, a presença de pessoas com deficiência diante das crianças também pode interferir naquilo que elas imaginam para o próprio futuro. Jarlene lembra que ainda são poucas as pessoas com deficiência vistas nos palcos e nos cursos de formação artística. Essa ausência de referências, segundo a artista, contribui para restringir possibilidades antes mesmo que crianças e jovens possam experimentá-las.

“Quando uma criança com deficiência vê a gente, ela pode pensar: um dia eu também vou ser ator, vou ser palhaço. A criança vai crescer e pode se transformar em um adulto professor, artista. Ela precisa ver outras pessoas com deficiência trabalhando, fazendo arte, vivendo”, pontua.

O produtor executivo, Marco Augusto de Rezende, alega que a circulação pelas escolas foi escolhida justamente por permitir esse encontro entre estudantes com e sem deficiência.

“O espetáculo trabalha situações de amizade, cooperação e autonomia e convida o público a participar das brincadeiras, enquanto a própria presença das artistas oferece às crianças uma experiência concreta de convivência com a diferença”, enfatiza Marco.

Acessibilidade

As apresentações contam com recursos de Libras e audiodescrição, além de profissionais voltados à acessibilidade atitudinal. Os espaços serão previamente avaliados quanto às condições de circulação e acesso, especialmente porque as próprias artistas utilizam cadeiras de rodas.

Jarlene conhece de perto as barreiras que permanecem nos espaços culturais. Ela relata dificuldades de deslocamento e palcos que muitas vezes não oferecem acessibilidade para artistas cadeirantes. Foi nesse confronto entre necessidade e ação que o palhaço Alegria Cadeirante ganhou parte de sua identidade. “Eu transformei a minha dor em alegria”, finaliza Jarlene.
 

PROGRAMAÇÃO

19 de outubro, segunda-feira

CAIC Albert Einstein, Santa Maria, às 10h, 11h, 13h30 e 14h30

20 de outubro, terça-feira

Escola Classe 21, Gama, às 9h e 15h30

Escola Classe 12, Gama, às 11h e 13h30

26 de outubro, segunda-feira

Escola Classe 17, Gama, às 9h e 15h30

Escola Classe 10, Gama, às 11h e 13h30

27 de outubro, terça-feira

Escola Classe 02, Gama, às 9h e 15h30

Gesner Teixeira, Santa Maria, às 11h e 13h30

 

SERVIÇO:

O quê: Alegria e Mariola: Palhaçaria Inclusiva nas Escolas

Entrada: gratuita, com 16 apresentações para estudantes das escolas participantes

19 de outubro , segunda-feira

CAIC Albert Einstein, Santa Maria – Horários: 10h, 11h, 13h30 e 14h30

20 de outubro , terça-feira

Escola Classe 21, Gama – Horários: 9h e 15h30

Escola Classe 12, Gama – Horários: 11h e 13h30

26 de outubro, segunda-feira

Escola Classe 17, Gama – Horários: 9h e 15h30

Escola Classe 10, Gama – Horários: 11h e 13h30

27 de outubro, terça-feira

Escola Classe 02, Gama – Horários: 9h e 15h30

Gesner Teixeira, Santa Maria – Horários: 11h e 13h30

Acessibilidade: Libras, audiodescrição e acessibilidade atitudinal

Informações: Instagram @jarlenelala

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