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Ray Titto: a música que nasce do traço, ganha corpo no palco e se transforma em experiência

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Ray Titto em performance com a banda Titto e os Calabares: presença de palco e intensidade que marcam a cena musical de Brasília. Fotos: Gabriel Tenório

  

Da ilustração à melodia. Entre traços, acordes e presença, a música de Ray Titto convida o público a uma experiência que vai além da escuta.

À frente da banda Titto e os Calabares, Ray Titto se destaca como uma presença expressiva na cena musical de Brasília, conduzindo apresentações que vão além da execução técnica e se transformam em experiência. No palco, sua performance é marcada por intensidade e entrega, dialogando com o público de forma direta e envolvente, enquanto a banda constrói uma sonoridade rica, que transita com naturalidade entre diferentes influências da música popular.

Com uma estética que valoriza o ao vivo, com instrumentos pulsando, arranjos dinâmicos e uma atmosfera que mistura sofisticação e proximidade, o projeto se firma como um reflexo da vitalidade cultural da capital. Mais do que um espetáculo, cada apresentação de Titto e os Calabares se desenha como um encontro, onde música, presença e emoção se alinham em tempo real.

Mas, por trás da potência que se vê no palco, o processo criativo de Ray Titto revela uma origem pouco convencional, e profundamente sensorial. Antes da melodia, antes da palavra, vem a imagem.

“Desenho. Eu desenho primeiro, uma ilustração, e dessa ilustração eu vou buscando a melodia e depois a letra.”

É nesse trânsito entre o visual e o sonoro que sua música ganha forma, como se cada composição carregasse, em sua essência, uma paisagem a ser traduzida em som. A criação, nesse caso, não parte apenas da escuta, nasce do olhar, da construção de um imaginário que, aos poucos, encontra ritmo, harmonia e narrativa.

À frente da banda, Ray assume também o papel de direção, e faz isso com uma lógica clara, quase didática, onde liberdade e estrutura coexistem:

“Tem que ter regra. Tudo tem que ter regra. Música é igual a futebol: as regras são claras. Goleiro defende, zagueiro defende também, atacante faz gol. É isso.”

Essa visão prática sustenta um projeto coletivo em que diferentes influências convivem sem perder a identidade. Embora suas referências pessoais passem por nomes como Almir Sater, Alan Jackson e Johnny Cash, o som da banda se constrói no encontro: uma mistura que atravessa o country, o roadhouse e o rock sulista, ecoando também Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e Creedence Clearwater Revival.

Mas é na relação com o território que sua música ganha um de seus pontos mais marcantes. A canção “Chão Vermelho”, por exemplo, carrega uma experiência de descoberta que se tornou símbolo:

“Minha descoberta com o Cerrado… a hora que eu dei de cara com a Chapada dos Veadeiros, foi impressionante.”

A paisagem, aqui, não é apenas cenário, é elemento criador. É matéria viva que atravessa a obra e transforma percepção em música.

E quando se trata do que deseja provocar em quem escuta, Ray evita definições fechadas. Prefere deixar espaço:

“É sempre uma coisa de viagem. Só que não precisa estar na estrada. É uma viagem com cada um. E é fundamental se ligar na melodia, porque a letra nunca tem a ver com o que as pessoas estão pensando.”

Talvez seja exatamente aí que reside a força do seu trabalho: na capacidade de abrir caminhos em vez de conduzir respostas. Em um cenário cada vez mais acelerado e previsível, Ray Titto constrói, com precisão e sensibilidade, uma música que convida, não impõe. Que sugere, não determina.

E é nesse convite, feito entre traços, acordes e presença de palco, que sua arte encontra permanência.

 

 

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