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Pedal Paul: a precisão do som, a estrada do tempo e a essência do country em Brasília

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Pedal Paul conduz o som com seu pedal steel, instrumento raro no Brasil, em uma performance que traduz sua trajetória no country. Fotos: Gabriel Tenório.

 

Entre a tradição do country e a construção de uma identidade própria, Pedal Paul transforma tempo, técnica e presença em uma experiência musical autêntica.

 

Pedal Paul é um nome que transita com consistência pela cena musical de Brasília, unindo prática de palco e formação construída também fora do país. Com experiência internacional em sua trajetória, o músico amplia seu repertório estético e técnico, incorporando diferentes referências à sua atuação na capital federal.

Inserido no circuito de apresentações ao vivo, seu trabalho se desenvolve na construção direta com o público, onde a música ganha corpo na experiência e na presença. Essa vivência, somada ao olhar expandido adquirido no exterior, confere ao seu trabalho uma identidade sólida, que dialoga com múltiplas influências sem perder autenticidade.

Mais do que um percurso individual, Pedal Paul representa a força de uma cena que se sustenta pela continuidade, pela troca e pela entrega, elementos que mantêm a música viva em Brasília, longe de fórmulas prontas e próxima daquilo que realmente importa: o encontro entre artista e público.

No palco, ao lado de Ray Titto e os Calabares, no SofTown, essa construção se torna visível. Com seu pedal steel, instrumento raro no Brasil e pouco explorado fora de nichos específicos, Paul carrega uma história que atravessa décadas. Sua relação com o country não é recente, nem superficial.

“Eu toco pedal steel… eu conheci esse instrumento nos anos 90, é muito pouco usado no Brasil. E eu acho que isso fez todo o diferencial. O country está na minha vida desde 92. Então… o tempo responde.”

É justamente esse tempo, de escuta, prática e aprofundamento, que sustenta seu reconhecimento dentro da cena. Em um contexto onde muitas vezes o country se mistura ao sertanejo, Pedal Paul se posiciona com clareza dentro de uma tradição mais ampla, consciente de suas raízes e de suas múltiplas vertentes.

“O country tem história, como o rock, como o blues. Tem vários braços… e a gente aqui reconhece isso. Cada um tem sua preferência, mas eu me dedico a isso há muito tempo.”

Essa consciência estética se reflete também na dinâmica da banda. Mais do que execução, há entendimento, e, sobretudo, paixão.

“Eu acho que a primeira coisa é a paixão.”

A relação com o público, no entanto, não segue uma fórmula única. Para Paul, cada apresentação carrega sua própria atmosfera, seu próprio tempo emocional.

“Cada noite é uma noite, cada bar é um bar… às vezes a pessoa está mais introspectiva, às vezes mais aberta. A gente não sabe o que passa na cabeça de cada um.”

Essa percepção revela um músico atento, não apenas ao som, mas ao ambiente, ao contexto, ao outro. É essa escuta ampliada que transforma o show em experiência.

Ao longo da trajetória, a banda também acumulou vivências fora da capital, em apresentações que ultrapassam o palco e se tornam memória.

“A gente já tocou em outros lugares… Barreiras, por exemplo. Foi muito marcante. Não só pelo show, mas pela viagem, pelas pessoas, pelo que acontece antes, durante e depois.”

No repertório, há espaço tanto para a construção autoral quanto para referências que ajudam a traduzir a identidade do grupo. Clássicos como On The Road Again, de Willie Nelson, aparecem como pilares, não apenas por reconhecimento, mas por afinidade estética.

“É um country que representa muito a gente. Um country diferenciado.”

Ainda assim, quando questionado sobre um possível “ponto de chegada”, Pedal Paul responde com a inquietação típica de quem construiu sua trajetória na prática contínua:

“A gente já chegou lá? Eu acho que a gente está sempre buscando. Eu, como músico, estou sempre tentando melhorar… sempre tem coisa difícil, sempre tem desafio.”

Essa busca constante, no entanto, encontra equilíbrio no momento do palco, onde, segundo ele, o ideal é deixar tudo fluir.

E é justamente nesse fluxo que a música encontra sua forma mais verdadeira.

Atualmente, a banda vive um momento de transformação, com o lançamento de um trabalho autoral que marca uma nova fase, impulsionada, segundo Paul, pela liderança criativa de Ray Titto.

“O Ray é um pensador. Ele compõe, faz arranjos, pensa tudo. A banda mudou muito desde o começo até agora. Esse trabalho autoral tem muito disso.”

Ao reconhecer essa construção coletiva, e, ao mesmo tempo, a força de uma direção artística clara, Pedal Paul reafirma seu lugar não apenas como instrumentista, mas como parte fundamental de um projeto que se consolida pela consistência, pela entrega e pelo tempo.

Em uma cena que muitas vezes se constrói longe dos grandes holofotes, seu nome permanece como sinônimo de dedicação, identidade e permanência.

E, no fim, talvez seja isso que define sua trajetória: não a pressa de chegar, mas a decisão de continuar.

 

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