Celso Furtado (1920 – 2004) foi um dos mais importantes economistas brasileiros, nascido na Paraíba, com formação também em Direito, e referência central no pensamento sobre o desenvolvimento. Autor de Formação Econômica do Brasil (1959), construiu uma interpretação original do país ao evidenciar que o subdesenvolvimento não é uma etapa, mas uma condição histórica marcada por desigualdades estruturais. Atuando na Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), órgão da ONU, e, posteriormente, como criador da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), defendeu o papel estratégico do Estado no planejamento e na superação das assimetrias regionais e sociais.
Ao longo de sua trajetória, Furtado avançou ao integrar economia e cultura como dimensões inseparáveis do desenvolvimento. Em Criatividade e Dependência na Civilização Industrial (1978), distinguiu a criatividade técnica — subordinada à lógica da acumulação — da criatividade cultural, responsável por definir valores, sentidos e formas de vida. Para ele, o verdadeiro desenvolvimento só ocorre quando há enriquecimento cultural e ampliação do acesso à criação.
Como primeiro ministro da Cultura do Brasil (1986–1988), consolidou a ideia de que a cultura não é acessória, mas um ativo estratégico. Defendeu que a potência criativa do povo brasileiro — expressa em suas múltiplas manifestações culturais — deve ser base para a autonomia, e não apenas recurso explorado por dinâmicas externas. Seu pensamento antecipa debates contemporâneos sobre economia criativa, ao alertar que ela pode tanto promover emancipação quanto reproduzir dependências, a depender de quem controla os meios de produção e circulação da criatividade.
Seu legado permanece como um convite a pensar o desenvolvimento a partir da cultura, da diversidade e da capacidade de um país inventar, com autonomia, o seu próprio futuro.
Fonte: Ministério da Cultura

