Debates e formações sobre cultura digital, comunicação, ancestralidade, tecnologias, arte, educação e ciências. Com esse objetivo, o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a pró-reitoria de extensão, promovem entre os dias 4 e 8 de fevereiro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), mais uma edição do Labic Amazonas. Embaixo da maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) – município com a maior população e diversidade indígena do Brasil – mais de 30 projetos e dezenas de comunicadores indígenas da região do Alto Rio Negro se reúnem para quatro dias de oficinas.
No evento, o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), Fabiano Piúba, conversou com presentes sobre a arte de contar histórias como ferramenta de comunicação como recurso ético, estético e político, e também sobre políticas públicas e cosmovisões diversas. “A cultura digital é não desconectar disto: dessa capacidade de ouvir o chão, de também de ver e ler o céu. O que a gente tem, nessa dimensão de uma cultura digital e de um elemento de formação em comunicação, é a gente saber – aquilo que os mais antigo falavam – de saber de onde a gente vem”, frisou.
Representando um dos projetos selecionados, a comunicadora indígena Luna Tukana, falou sobre as ações da Rede Wayuri que atua com radio e com a divulgação de informações sobre os povos da região. “Estamos muito felizes com a oportunidade de estar aqui, aprendendo, conhecendo outros projetos. E principalmente: fortalecendo o nosso trabalho de informar, de combater as fakes news, do protagonismo nosso – é isso, a comunicação feita por nós, pelos próprios indígenas”.
Rede de Formação em Cultura Digital – Labic Amazonas
O primeiro dia de formação contou com momentos de acolhimento, mesas de conversa, rodas de diálogo e atividades formativas, abordando temas como culturas digitais, tecnologias sociais, comunicação comunitária, modos de vida amazônicos e o fortalecimento de redes que já atuam no território.
Após circular pelas cinco regiões do país, a pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, celebra a culminância em São Gabriel da Cachoeira e os mais de 30 projetos de comunicação que foram selecionados e estão presentes. “Tem sido incrível encontrar diversas experiências de formação. E é isso, a aldeia é a escola, o território é o lugar do saber. Tem sido uma oportunidade de conhecer as terras indígenas e como os jovens, adultos e anciões também estão lidando com as tecnologias e o impacto da cultura digital. Tem uma juventude que está fazendo – e muito bem – comunicação”, frisou.
“Falar dessa comunicação digital, é já temos, de modo natural, essa rede que segue o rio, as florestas, as praias. A comunicação e a oralidade sempre foram o nosso forte, dos nossos povos, o que estamos vendo agora é a ampliação, a potência desse movimento”, apontou o gestor do Ministério dos Povos Indígenas do Brasil (MPI), Karkaju Pataxó.
Ainda na programação da abertura, Francy Baniwa, antropóloga pelo Museu Nacional (UFRJ), fez a conferência Ciências Indígenas e o Umbigo do Mundo. À tarde, o público poderá conhecer os 30 projetos selecionados que integram as mentorias, oficinas e demais atividades presenciais do Labic Amazonas. As iniciativas vêm de diferentes regiões do estado do Amazonas e reúnem representantes de ao menos 12 etnias, entre elas Baniwa, Baré e Tukano. Os projetos atuam em uma ampla variedade de áreas, como saúde, arte e artesanato, preservação ambiental, segurança alimentar, educação e tecnologias, entre outros campos de atuação ligados aos territórios e modos de vida amazônicos.
A realização da atividade é da UFRJ, por meio da Pró-Reitoria de Extensão, em parceria com o Ministério da Cultura (MinC), via Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (SEFLI). A ação conta com a parceria do IFAM e da FOIRN, além do apoio do Pontão de Cultura Digital da ECO/UFRJ e da Mídia Ninja.
A programação conta ainda com a participação do diretor Substituto de Educação e Formação Artística do MinC, Rafael Maximiano. Para ter acesso às atividades previstas, clique aqui.
Fonte: Ministério da Cultura

