Durante dois dias em Porto Alegre (RS), a 15ª Reunião do Conselho Intergovernamental do IberCultura Viva, realizada nos dias 27 e 28 de novembro, consolidou as conquistas de 2025 e aprovou o Plano Operativo Anual para 2026, reafirmando a vitalidade do Programa e sua vocação de tecer políticas culturais com e desde os territórios.
A secretária Nacional de Diversidade Cultural, Márcia Rollemberg, que preside a iniciativa, ressaltou o momento frutífero da cooperação. “A trajetória do IberCultura consolidou uma política de base comunitária que une países, fortalece identidades e amplia o acesso aos direitos culturais em diversos territórios. Em 2025, celebramos 11 anos e nossa maior quantidade de países-membros – somos 14 – e recordes de participação em nossos editais”.
Ela destaca o caráter resolutivo da reunião: “um dos avanços mais importantes diz respeito à ampliação de parcerias e integração com outros países, como foi definido na reunião da Comissão de Diversidade Cultural do Mercosul”, destaca, acrescentando que foram aprofundados temas estratégicos como educação, justiça climática e fortalecimento da participação da sociedade civil.
Atualmente, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Espanha, México, Panamá, Paraguai, Perú, República Dominicana e Uruguai integram o IberCultura Viva. A gestão brasileira é de 2024 a 2027 – a anterior foi de 2014 a 2017.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, que está em Porto Alegre em função da Reunião de Ministros de Cultura do Mercosul, participou brevemente da reunião, saudou a delegação e destacou a importância de uma cooperação ibero-americana capaz de fortalecer a cultura de base comunitária e ampliar direitos culturais.
Redes e recordes
Os resultados de 2025 evidenciaram a ampliação da Rede IberCultura Viva de Cidades e Governos Locais, que cresceu de 21 para 32 integrantes, fortalecendo a articulação entre gestões públicas, organizações culturais comunitárias, povos originários e comunidades tradicionais.
Igualmente significativo foi o avanço da Rede Educativa IberCultura Viva, lançada em abril na Cidade do México, que hoje reúne 15 instituições e integra saberes acadêmicos, ancestrais e comunitários para impulsionar a formação, pesquisa e valorização da diversidade cultural.
Durante a reunião, foi evidenciado que as agendas internacionais ampliaram consideravelmente a presença do Programa no cenário global. O Seminário Internacional no México, o VI Congresso Latino-americano de Culturas Vivas Comunitárias, a 10ª Cúpula Mundial da IFACCA, em Seul, o side event da Mondiacult 2025, em Barcelona, e a jornada dedicada ao Programa no XIV Seminário Internacional de Políticas Culturais, no Rio de Janeiro, marcaram decisivamente o ano – entre outras atividades.
De olho em 2026
Projetando o próximo ciclo, a secretária técnica do IberCultura, Flor Minici, destacou a necessidade de avançar de forma integrada e sustentável. “Trabalhamos sempre em parceria com a sociedade civil. Redes fortalecidas, mais adesões e novas convocatórias compõem o horizonte imediato, preparando o legado a ser entregue em 2027.”
A reunião aprovou convocatórias estratégicas para encontros, intercâmbios de experiências e banco de saberes organizados em dois eixos temáticos para 2026: Cultura Alimentar e Justiça Climática. Deliberou-se também apoio à participação de agentes culturais no Congresso Latino-americano de Culturas Vivas Comunitárias, em abril na Colômbia, mediante o Edital de Mobilidade.
Foi aprovada ainda a constituição de grupos de trabalho em temas essenciais: cultura e infância, mestras e mestres da cultura popular, inteligência artificial e contribuições relacionadas aos vinte anos da Carta Cultural Ibero-americana.
Pontos de cultura e articulação
Durante os dias de trabalho, a delegação vivenciou experiências emblemáticas da cultura viva local. No Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, conheceu uma trajetória em que música, audiovisual, memória negra e economia solidária articulam-se como prática cotidiana de resistência e criação.
No Pontão Gêneros em Rede, teve contato com artistas e coletivos que atuam pela diversidade e direitos humanos com perspectiva interseccional. Visitou também o Museu do Hip Hop, primeiro da América Latina inaugurado em 2023, que abriga exposições interativas, estúdio, salas de formação, biblioteca e espaços para dança, graffiti e práticas comunitárias. A programação encerrou no Pontão de Cultura Axé Miré, em encontro marcado por celebração, tambor e espiritualidade.
Integração regional
Na quarta-feira anterior (26), o IberCultura Viva foi apresentado à Comissão de Diversidade Cultural do Mercosul, fortalecendo diálogos e ampliando a integração entre iniciativas do bloco.
Do Brasil para o mundo
Inspirado pela experiência brasileira, o IberCultura Viva reconhece nos Pontos de Cultura um marco histórico na relação entre Estado e sociedade civil. Criada em 2004, essa política ressignificou a cooperação público-comunitária e hoje mobiliza aproximadamente 12 mil iniciativas que compõem a rede brasileira, influenciando políticas culturais em toda a região ibero-americana.
Os dois dias de trabalho encerraram-se com uma certeza compartilhada: o caminho da cultura viva é coletivo. Entre balanços, escuta e futuro, o Conselho Intergovernamental reafirmou o espírito que move o Programa desde sua criação: o de construir políticas ancoradas na diversidade, no encontro e na promoção e garantia de direitos culturais.
Fonte: Ministério da Cultura

